Liguei para meu motorista, José, e então me lembrei de que havia ligado para avisar que estava doente. Então peguei minha Mercedes vermelha e dirigi, imaginando o rosto de Laura se iluminando ao me ver. Cheguei a planejar ligar para Ricardo mais tarde para contar como sua esposa estava sendo gentil. Eu já conseguia ouvi-lo elogiando-o.
Às cinco horas, cheguei ao estacionamento de um hospital particular de elite em Segóvia. Laura havia dito que eu estava no quarto VIP 305
.
Aquilo só me fez piscar. Laura não trabalhava. Como ela ia pagar por uma suíte daquelas? Mas o otimismo logo eclipsou minhas suspeitas. Talvez ela tivesse alguma reserva. E se não, tudo bem. Eu daria um jeito. Com
a cesta de frutas na mão, caminhei pelos corredores que cheiravam a antisséptico, embora tudo estivesse impecável e caro. Meus passos ecoavam no mármore. Meu coração não estava com medo, estava ansioso.
O elevador tocou no terceiro andar. Encontrei o quarto 305 no final de um corredor silencioso, um pouco isolado. E, ao me aproximar, notei que a porta não estava totalmente fechada, apenas entreaberta.
Levantei a mão para bater... e congelei.
Uma risada escapou de mim.
Continua na próxima página
E a voz de um homem, quente, zombeteira, dolorosamente familiar, interrompeu meu fluxo sanguíneo.
“Abra a boca, querida. Lá vem o aviõezinho…”
Meu estômago se contraiu. Aquela voz havia beijado minha testa naquela manhã. Aquela voz havia me prometido Valência.
Não. Não podia ser.
Tremendo, fui até a fresta da porta e prendi a respiração enquanto espiava lá dentro.
A cena me atingiu como uma marreta.
Laura estava sentada ereta na cama, saudável, radiante, nada pálida. Ela vestia um pijama de cetim, não uma camisola de hospital. E sentado ao lado dela, alimentando-a com fatias de maçã com terna paciência, estava Ricardo.
Meu marido.
CONTINUE LENDO NA PRÓXIMA PÁGINA 🥰